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Os ferimentos e a tortura de Cristo hoje em dia

Publicado Jan 25, 2021 por Adrian Ebens dentro artigos
Traduzido por Carlos Pereira
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Postado em 22 de Outubro, 2015 by Adrian Ebens in Everlasting Gospel

Muitas vezes no passado, quando contemplava os sofrimentos de Cristo na cruz  o meu coração se despedaçava em tristeza por Aquele que tanto sofreu por nós, mas encontrava conforto no pensamento de que Cristo estava agora a salvo no céu e já não estava exposto às cruéis torturas que Ele sofreu enquanto aqui na terra.

A Bíblia fala claramente da morte única de Cristo para a purificação dos nossos pecados.

E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. Era portanto necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem ; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Pois Cristo não entrou num Santuário feito por mãos, figura do verdadeiro; porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós na presença de Deus :  (25) Nem também para  a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no lugar santo com sangue alheio; (26) Douta maneira, necessário lhe fora ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos,uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.  (27) E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso, o juízo:  (28) Assim também Cristo oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos; aparecerá pela segunda vez sem pecado, aos que o esperam para a salvação. Heb 9,22-28

A Bíblia afirma que Cristo só foi oferecido uma vez para derramar o Seu sangue por nós. Isto contradiz claramente o ensino católico romano da transubstanciação, onde o sangue e o corpo de Cristo são oferecidos milhares de vezes por dia em todo o mundo na Missa Católica. A tortura física e a morte de Cristo só ocorreu uma vez em carne e osso. Como a morte de Cristo teve lugar na cruz, a palavra cruz está directamente ligada ao sofrimento e morte de Cristo. Quando falamos da cruz, a nossa mente é atraída para essa espantosa revelação de Deus na morte do Seu Filho.

Há uma questão crítica que precisamos de colocar em relação aos sofrimentos da cruz. Foram os pregos e as chicotadas que causaram a agonia de Cristo sobre a cruz? Foi o bater e o rasgar da Sua barba que Lhe causou tanta angústia?

Não foi a dor e a ignomínia da cruz que causou a Sua indizível agonia. Cristo era o príncipe dos sofredores; mas o Seu sofrimento provinha de uma sensação de malignidade do pecado, um conhecimento de que, através da familiaridade com o mal, o homem se tinha tornado cego à sua enormidade. Cristo viu quão profundo é o domínio do pecado sobre o coração humano, quão poucos estariam dispostos a romper com o seu poder. Ele sabia que sem a ajuda de Deus, a humanidade devia perecer, e Ele via multidões  perecerem ao alcance de uma ajuda abundante.  {DTN 532.1}

A agonia da cruz para Cristo foi o senso da malignidade do pecado; a capacidade do pecado de escravizar e endurecer o coração humano e destruí-lo. A sua agonia vinha de um sentimento de que Ele estava ao alcance dos perdidos e, no entanto, a maioria recusaria ser salvo.

 

A questão crítica que devemos colocar-nos é esta. Será que a inexprimível agonia dos sofrimentos de Cristo relativamente à maldade do pecado e à situação dos pecadores estava limitada ao Seu tempo sobre a cruz física da madeira? Será que Cristo não sente esta tristeza mesmo agora?

Heb 6:6 Se eles caírem, para os levar de novo ao arrependimento; vendo-os crucificar para si mesmos o Filho de Deus de novo, e expô-lo a uma vergonha aberta.

 Como um de nós, Ele deve carregar o fardo da nossa culpa e do nosso infortúnio. O Inocente devia sentir a vergonha do pecado. O amante da paz tinha que habitar com a contenda, a verdade devia permanecer com a falsidade, a pureza com vileza. Todo o pecado, toda a discórdia, toda a contaminadora concupiscência trazida pela transgressão, lhe era uma tortura para o Seu espírito.  Sozinho Ele devia trilhar o caminho; sozinho carregaria o fardo. Sobre Aquele que se tinha despojado da Sua glória e aceitara a fraqueza da humanidade, devia repousar a redenção do mundo. Ele viu e sentiu tudo isso, mas o Seu propósito permaneceu firme. Sobre o Seu braço dependia a salvação da raça caída, e Ele estendeu a Sua mão para agarrar a mão do Amor Omnipotente.  {DTN 67.4e5}

Por cada pecado Jesus é ferido de novo; e ao olharmos para Aquele que trespassamos, lamentamos os pecados que lhe causaram angústia. Tal luto conduzirá à renúncia ao pecado.  {DTN 206.1}

Cristo sente os pesares de cada sofredor. Quando os espíritos maus arruínam o organismo humano, Cristo sente a maldição. Quando a febre consome a corrente vital, Ele sente a agonia. (DTN 582.2)

É possível compreender os sofrimentos de Cristo? É possível imaginar a agonia da Sua alma mesmo agora? Enquanto Cristo olha para o jovem escravizado ao álcool ou às drogas e o alcança com o desejo sincero de o ajudar, e o jovem se afasta d'Ele agarrado à autodestruição, não podemos ver o nosso Salvador agarrado à tristeza, desejando, desejando salvar e, no entanto, Ele é rejeitado. Cristo envia o Seu Espírito à jovem mulher escravizada pela música e filmes do mundo que enchem a sua mente de egoísmo e maldade, mas Ele é rejeitado, a Sua barba, por assim dizer, é arrancada e Ele é expulso da alma para que ela possa continuar a destruir-se a si própria. O Espírito de Cristo procura mover-se suavemente para o coração dos homens enquanto estes se sentam num bar escravizados pelo álcool vendo os homens chocarem-se uns contra os outros num grande ecrã e endurecendo as suas almas. Ele implora-lhes que abandonem o seu egoísmo, que vão e cuidem das suas famílias e gastem o seu dinheiro em coisas dignas. Os homens pedem outra bebida, contam outra piada e rugem com gargalhadas e Cristo é mais uma vez espancado, chutado e expulso das almas dos homens.

Será que sabemos o que é ser empurrado para o lado, espezinhado na sarjeta e cuspido? Será que continuaríamos a submeter-nos a este tipo de tratamento? Cada vez que nós estendemos a mão, somos humilhados e cheios de grande tristeza. Como é que Cristo continua a fazer isto para homens e mulheres? Dia e noite estendendo a mão para eles, chamando-os, suplicando-lhes e sendo empurrado de novo  para trás. No mundo espiritual, Ele é espancado, chicoteado e chutado, uma coroa de espinhos é colocada na Sua cabeça e Ele é atingido com um pau e gozado e escarnecido. O seu nome é dito em brincadeira e riso e silenciosamente submete-se a este espectáculo humilhante. Como pode Ele suportar isto?

Ele nega-se a si próprio. Esta é a realidade da cruz.

Então disse Jesus aos seus discípulos: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me". Mateus 16,24

E quem não tomar a sua cruz, e me seguir, não é digno de mim. Mateus 10:38

Note cuidadosamente que Cristo não limita a si mesmo a experiência da cruz, nem a limita a um único acontecimento. Os sofrimentos físicos de Cristo de uma vez por todas, foi uma demonstração misericordiosa do que Cristo experimenta todos os dias e todas as noites. Constantemente empurrado para trás, espancado e humilhado.

Ao compreender esta realidade, Isaías, o profeta do evangelho, escreveu sobre os sofrimentos de Cristo 700 anos antes de Ele realmente vir à terra e falou sobre ela como uma realidade presente e passada ao seu tempo.

Ele é desprezado e rejeitado pelos homens; um homem de tristezas, que conhece a dor: e nós escondemos dele  o nosso rosto; e o desprezamos, e não fizemos dele caso algum.  (4) Certamente ele suportou as nossas enfermidades, e carregou as nossas dores; no entanto, nós o reputámos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Isa 53,3-4

Em 700 AC Cristo era um homem de tristezas e conhecia a dor. Enquanto os homens escondiam dele os seus rostos e se afastavam dele com repugnância, raiva e medo, Cristo foi ferido e torturado no Seu Espírito. Há quanto tempo é que Cristo está sofrendo esta experiência?

Em toda a sua aflição ele foi afligido, e o anjo da sua presença salvou-os: pelo seu amor e pela sua compaixão ele os redimiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade. Isa 63,9

Cristo carregou a humanidade por todos os dias da antiguidade. Ele foi ferido desde os dias de Adão. Quando Cristo viu Adão e Eva comerem o fruto e escolherem expulsar deles o Seu Espírito, Ele foi ferido  no Seu coração. É por isso que a Bíblia nos diz:

E todos os que habitam sobre a terra o adorarão, cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro morto desde a fundação do mundo. Ap 13,8

A palavra "morto" significa açougueiro. O coração de Cristo foi massacrado com um holocausto de imensas proporções, desde a fundação do mundo. Essa realidade que era invisível ao mundo físico manifestou-se misericordiosamente há 2000 anos atrás, para que todos pudessem compreender o que Cristo estava a experimentar e continua a experimentar até hoje.  Sabemos que a Lei de Deus não foi escrita fisicamente até muito depois da criação do mundo e, no entanto, sabemos que a Lei de Deus existia. Assim também, a semente da cruz de Cristo existiu desde a fundação do mundo e foi manifestada fisicamente há 2000 anos atrás. A agonia do cordeiro sofredor oferecido por Adão no jardim com a sua família não só apontou para o sofrimento físico e morte de Cristo 4000 anos mais tarde, mas também apontou para os sofrimentos imediatos de Cristo então e ali no jardim.

Será que começamos a apreciar a profundidade, a largura, a altura e o comprimento da cruz? Será que começamos a compreender a enormidade dos sofrimentos de Cristo por nós? Será que podemos compreender a profundidade dos escritos de Paulo quando ele disse:

Estou crucificado com Cristo; e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim: e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou, e se entregou por mim.  Gl 2,20

Como poderia Paulo dizer que foi crucificado com Cristo pelo menos 20 anos depois de ter acontecido fisicamente? É porque Paulo entrou na comunhão dos sofrimentos de Cristo.

Para que eu o conheça, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, sendo feito conforme a sua morte; Fil 3:10

Quando Cristo habita connosco, sentimos o que Ele sente pelos perdidos, sentimos a Sua mente e coração e os Seus sofrimentos e somos sustentados pela Sua abnegação motivada pelo Seu maravilhoso amor altruísta.

Mas repara em algo mais profundo nas palavras de inspiração

Não foi a dor e a ignomínia da cruz que causaram a Sua agonia inexprimível. Cristo foi o príncipe dos que sofrem; (DTN 532.2)

Cristo é o príncipe dos que sofrem, então quem é o Rei dos que sofrem, que se negou completamente a si mesmo e sofreu incrivelmente na doação do seu Filho por nós?

Pois Deus amou  o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3,16

Jesus assegura aos seus discípulos a simpatia de Deus por eles nas suas necessidades e fraquezas. Nem um suspiro se desprende, nem uma dor sentida, nem um pesar magoa a alma,sem que  sua vibração s e faça sentir no coração do Pai.  {DTN 248.1}

Os sofrimentos de Cristo são uma expressão do grande sofrimento que encontra a sua fonte no coração de Deus. Confesso que sou dominado pela tristeza quando penso no nosso precioso Pai. Quando penso em todo o Seu sofrimento por um mundo que O despreza, sinto um profundo sentimento de admiração e amor por Ele. O amor de Deus constrange-me e rendo-me totalmente ao seu poder magnético; o poder do verdadeiro amor.

Oro para que possam ver como a cruz muda os corações dos homens; uma revelação do altruísmo e uma contínua aproximação a cada homem e mulher. Um afastamento diário e uma humilhação e, no entanto, Pai e Filho negam-se, suportam a vergonha e continuam a apelar, a implorar e a estender a mão até à última possibilidade.

Quando soubermos que cada pecado, causa tanto sofrimento ao nosso Senhor Jesus, voltar-nos-emos para Ele e abraçaremos o Seu amor altruísta e depois, quando formos humilhados e difamados, manifestaremos o Seu Espírito e não voltaremos a atacar, não nos tornaremos cheios de autocomiseração e nos afastaremos com repugnância e frustração.

Quando olho para a cruz sob esta luz, sinto a minha condição pecaminosa. Começa a surgir na minha mente a extensão do meu problema com o meu eu. O brilho da Sua abnegação brilha como uma luz brilhante na minha condição egoísta e a minha vontade começa a avançar para uma decisão de mudança. Desejo ser como o meu Salvador, desejo ser livre de autopiedade e auto-protecção; desejo amar como Ele ama e no meu reconhecimento do Seu único derramamento do Seu sangue, agarro-me à certeza de que os meus pecados são perdoados e que recebi o Seu Espírito. Aleluia!

 

Não há, portanto, agora nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Rom 8,1